Como os muçulmanos veem Jesus e Maria?
Publicado em 19/06/2025 por Vivian Lima
No Islã, Jesus (Isa, em árabe) e Maria (Maryam, em árabe) são figuras de imenso respeito e veneração, ocupando posições de destaque no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. Embora haja pontos de convergência com a visão cristã, existem diferenças teológicas cruciais, especialmente no que diz respeito à natureza de Jesus.
A Visão Muçulmana de Jesus (Isa)
Para os muçulmanos, Jesus é um dos profetas mais importantes de Allah (Deus), considerado um Mensageiro Divino e o Messias (Al-Masih). Ele é reverenciado como um dos profetas mais próximos de Allah, vindo antes do Profeta Muhammad. A visão islâmica de Jesus inclui os seguintes pontos:
- Profeta e Mensageiro de Deus: Jesus é visto como um profeta na linhagem de Adão, Noé, Abraão, Moisés e Muhammad. Sua missão era guiar o Povo de Israel de volta à adoração do Deus Único.
- Nascimento Virginal e Milagroso: O Alcorão confirma o nascimento virginal de Jesus. Maria concebeu Jesus por um ato direto de Allah, sem a intervenção de um pai humano. Isso é considerado um milagre e um sinal do poder de Deus. O Alcorão 19:20-21 narra a surpresa de Maria e a resposta divina: “Disse-lhe: Como poderei ter um filho, se nenhum homem me tocou? Disse-lhe: Assim será, porque teu Senhor disse: Isso Me é fácil! E faremos disso um sinal para os homens, e será uma prova de Nossa misericórdia. E foi uma ordem inexorável.”
- Realizador de Milagres: O Islã reconhece que Jesus realizou muitos milagres pela permissão de Allah. Estes incluem a cura de cegos e leprosos, a ressurreição dos mortos e até mesmo a capacidade de falar no berço (Alcorão 3:49, 5:110, 19:29-30). Esses milagres são vistos como sinais de sua profecia, não de sua divindade.
- Não é Filho de Deus nem Divino: Esta é a principal diferença teológica com o Cristianismo. O Islã enfatiza a Unicidade Absoluta de Deus (Tawhid) e rejeita a ideia de que Deus possa ter um filho ou associados. Para os muçulmanos, Deus é incomparável e único, e atribuir-Lhe parceiros ou descendência é considerado Shirk (idolatria), o maior pecado no Islã. O Alcorão 4:171 afirma: “O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Deus e Seu Verbo, com o qual Ele agraciou Maria por intermédio do Seu Espírito. Crede, pois, em Deus e em Seus mensageiros. Não digais: ‘Trindade!’ Abstende-vos disso, que será melhor para vós; Sabei que Deus é Uno. Glorificado seja! Longe está a hipótese de ter tido um filho.”
- Não Morreu na Cruz: Os muçulmanos acreditam que Jesus não morreu na cruz, mas que Allah o salvou e o elevou aos céus. A crença é que uma semelhança foi colocada em outra pessoa, ou que a morte na cruz não foi real. Ele retornará à Terra antes do Dia do Juízo Final para lutar contra o anticristo (Dajjal) e estabelecer a justiça, antes de morrer uma morte natural.
- Jesus é Chamado “Isa, Filho de Maryam”: No Alcorão, Jesus é frequentemente referido como “Isa, filho de Maryam” (Jesus, filho de Maria), destacando a sua humanidade e a pureza de sua mãe.
A Visão Muçulmana de Maria (Maryam)
Maria, mãe de Jesus, ocupa uma posição excepcionalmente elevada no Islã. Ela é uma das mulheres mais honradas no Alcorão, sendo a única mulher a ter um capítulo inteiro nomeado em sua homenagem, a Sura Maryam (Capítulo 19). Sua pureza, devoção e fe/">fé são exaltadas.
- A Mulher Mais Pura e Escolhida por Deus: O Alcorão a descreve como uma mulher piedosa, casta e escolhida por Deus acima de todas as outras mulheres da criação. Ela é apresentada como um modelo de devoção e retidão (Alcorão 3:42: “Ó Maria! Por certo Deus te escolheu e te purificou, e te escolheu sobre todas as outras mulheres dos mundos.”).
- Concepção Virginal de Jesus: Sua história no Alcorão inclui a visita do Anjo Gabriel, que lhe anuncia o nascimento miraculoso de Jesus, um evento que ela aceita com fé e submissão, apesar de sua surpresa.
- Um Sinal para a Humanidade: Maria e seu filho, Jesus, são considerados um “sinal” e uma “misericórdia” de Deus para a humanidade, demonstrando o poder divino de criar vida de formas extraordinárias.
- Exemplo de Fé: Ela é admirada por sua paciência, perseverança e absoluta confiança em Deus diante das dificuldades e do escrutínio da sociedade após o nascimento de Jesus.
- Não é “Mãe de Deus”: Assim como Jesus não é Deus, Maria também não é considerada “Mãe de Deus” no Islã, pois isso contradiz o conceito de Tawhid (Unicidade de Deus). Ela é a mãe de um grande profeta de Deus.
Pontos de Convergência e Diálogo
Apesar das diferenças teológicas fundamentais, a profunda reverência a Jesus e Maria no Islã serve como uma ponte para o diálogo inter-religioso entre muçulmanos e cristãos. Ambos os textos sagrados compartilham histórias e valores que promovem a paz, a justiça e a adoração a Deus. Essa base comum permite que muçulmanos e cristãos encontrem pontos de entendimento e respeito mútuo, mesmo que suas crenças sobre a divindade de Jesus permaneçam distintas.
Em suma, muçulmanos veem Jesus como um dos maiores profetas e o Messias, nascido milagrosamente de uma virgem e realizador de milagres pela permissão de Deus, mas não como divino ou filho de Deus. Maria é venerada como uma mulher pura, escolhida por Deus e um exemplo de fé e devoção.
Resumo: No Islã, Jesus (Isa) é um dos mais importantes profetas e o Messias, nascido milagrosamente da Virgem Maria (Maryam), e realizou milagres pela permissão de Allah. No entanto, os muçulmanos rejeitam sua divindade e a ideia de ser filho de Deus, enfatizando a Unicidade Absoluta de Allah. Acreditam que Jesus não morreu na cruz, mas foi elevado por Deus e retornará antes do Dia do Juízo Final. Maria (Maryam) é uma figura de imenso respeito, a única mulher nomeada no Alcorão (Sura Maryam), e é considerada a mulher mais pura e escolhida por Deus em toda a criação, um exemplo de fé e devoção. Apesar das diferenças teológicas com o Cristianismo, a veneração compartilhada por essas figuras sagradas é um ponto para o diálogo inter-religioso.