As raízes do islamismo xiita no Irã
Publicado em 17/06/2025 por Vivian Lima
O islamismo xiita é a corrente religiosa predominante no Irã, moldando não apenas a vida espiritual do povo, mas também sua identidade cultural e política. Neste artigo, você vai entender como o xiismo se enraizou no país, suas origens históricas, sua diferença com o islamismo sunita e o impacto dessa fe/">fé na sociedade iraniana atual.
1. Introdução ao islamismo xiita
O islamismo, após a morte do profeta Maomé em 632 d.C., dividiu-se em duas principais correntes: sunitas e xiitas. A diferença entre elas tem origem principalmente na questão da sucessão do Profeta. Os xiitas acreditam que o sucessor legítimo deveria ser Ali, genro de Maomé, enquanto os sunitas defendiam que o líder deveria ser escolhido por consenso. Essa divisão teológica e política teve profundas consequências no mundo islâmico — especialmente no Irã.
2. A chegada do islamismo ao território persa
Antes do islamismo, o território do atual Irã era dominado pelo zoroastrismo, religião oficial do Império Sassânida. A conquista islâmica da Pérsia no século VII levou à conversão gradual da população iraniana. Nos primeiros séculos, o Irã foi majoritariamente sunita. Porém, essa realidade mudou radicalmente a partir do século XVI, com o surgimento da dinastia Safávida.
3. A Revolução Safávida e a imposição do xiismo
Foi a dinastia Safávida (1501–1736) que estabeleceu oficialmente o xiismo doze-imamita como religião do Estado. O líder Ismail I declarou o xiismo como fé nacional, promovendo sua expansão por meio de campanhas militares, educação religiosa e repressão aos sunitas. Essa mudança visava consolidar a identidade nacional persa em oposição ao Império Otomano, que era sunita. Assim, o xiismo tornou-se parte inseparável da cultura iraniana.
4. Diferenças entre xiitas e sunitas
Além da sucessão de Maomé, os xiitas diferem dos sunitas em vários aspectos doutrinários. Os xiitas valorizam a figura dos Imames — considerados líderes espirituais e políticos infalíveis, descendentes diretos de Ali. Outro ponto marcante é o luto pela morte do Imam Hussein, neto de Maomé, na Batalha de Karbala. Esse evento é rememorado com profunda emoção durante o mês de Muharram, especialmente na Ashura.
5. O papel dos Aiatolás e dos clérigos xiitas
No Irã xiita, os líderes religiosos — chamados aiatolás — exercem grande autoridade sobre a população. Eles são estudiosos da religião e guias espirituais, e muitos também atuam na política, como é o caso do Líder Supremo. Após a Revolução Islâmica de 1979, o Irã tornou-se uma república teocrática, onde a lei islâmica xiita orienta tanto o sistema jurídico quanto a administração pública.
6. A Revolução Islâmica e a consolidação do xiismo
A Revolução de 1979 foi liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini e resultou na queda do xá Mohammad Reza Pahlavi. O novo regime transformou o país em uma república islâmica xiita. Desde então, o xiismo tornou-se ainda mais institucionalizado, com escolas, meios de comunicação e estruturas de governo baseadas na doutrina dos doze imames.
7. O impacto do xiismo na cultura e no cotidiano
A influência do xiismo vai além da religião. Ela está presente na arte, na música tradicional, na poesia persa e nas celebrações nacionais. Datas como a Ashura e o Arbaeen mobilizam milhões de fiéis em procissões públicas, orações e jejuns. Essa religiosidade molda a vida cotidiana, as relações sociais e até mesmo o comportamento político do povo iraniano.
8. Conclusão: fé e identidade entrelaçadas
As raízes do islamismo xiita no Irã não são apenas teológicas, mas profundamente culturais e históricas. Ao longo dos séculos, a fé xiita se entrelaçou com a identidade do povo iraniano, formando uma nação onde religião e Estado caminham juntos. Entender essas raízes é essencial para compreender o Irã moderno e sua atuação no cenário global.