Diferenças entre xiitas e sunitas: entenda as bases
Publicado em 17/06/2025 por Vivian Lima
A divisão entre xiitas e sunitas é uma das mais marcantes dentro do islamismo, com profundas implicações religiosas, políticas e culturais. Neste artigo, você vai entender as origens dessa separação, suas crenças distintas, práticas religiosas, e como essa diferença molda o mundo islâmico até os dias atuais.
1. Introdução à divisão islâmica
O islamismo, após a morte do profeta Maomé em 632 d.C., entrou em um momento de incerteza sobre quem deveria liderar a comunidade muçulmana. Essa disputa pela sucessão originou as duas principais vertentes do islã: os sunitas e os xiitas. Embora ambos compartilhem crenças fundamentais, como o monoteísmo e o Alcorão, há diferenças significativas em teologia, liderança e prática.
2. A questão da sucessão: o nascimento da divisão
A divisão teve início com o desacordo sobre quem deveria suceder Maomé. Os sunitas acreditaram que o líder deveria ser eleito pela comunidade, o que resultou na escolha de Abu Bakr, amigo e sogro do profeta. Já os xiitas sustentam que o sucessor legítimo era Ali, primo e genro de Maomé, designado por ele como herdeiro espiritual e político. Esse impasse marcou o início de séculos de tensão.
3. O papel dos califas e dos imames
No sunnismo, os califas são líderes políticos e religiosos, mas não considerados infalíveis. Já no xiismo, especialmente entre os xiitas doze-imamitas (predominantes no Irã), os imames são figuras espirituais sagradas, vistas como infalíveis e detentores de um conhecimento divino transmitido por Maomé. O xiismo venera uma linha de doze imames, sendo o último deles ocultado por Deus até o tempo do juízo final.
4. Diferenças nas práticas religiosas
Apesar de orarem em direção a Meca e seguirem os cinco pilares do islã, há variações nos rituais. Xiitas usam uma pequena pedra de argila (turba) ao encostarem a testa no chão durante a oração. Os horários das orações também podem diferir. Outra diferença marcante é a celebração da Ashura, muito importante para os xiitas, que relembra o martírio do Imam Hussein, neto de Maomé, na Batalha de Karbala.
5. A jurisprudência islâmica (sharia) em cada vertente
Sunitas seguem quatro principais escolas jurídicas: hanafi, maliki, shafi’i e hanbali. Os xiitas seguem a escola Jafari, com interpretações mais flexíveis em alguns pontos, como o uso do raciocínio lógico (ijtihad) na interpretação da lei. As regras de casamento, divórcio e herança também apresentam distinções entre as duas tradições.
6. Distribuição geográfica e política
Os sunitas representam cerca de 85% da população muçulmana no mundo, estando presentes principalmente em países como Arábia Saudita, Egito, Turquia e Indonésia. Já os xiitas são maioria no Irã, Iraque e Bahrein, e têm presença significativa no Líbano, Iêmen e Azerbaijão. Essas divisões também se refletem em conflitos políticos, como no Oriente Médio, onde disputas religiosas agravam tensões geopolíticas.
7. Convivência e tensões históricas
Ao longo da historia/">história, houve períodos de coexistência pacífica, mas também de conflitos violentos entre sunitas e xiitas. Disputas por poder, dominação territorial e liderança espiritual frequentemente alimentaram guerras e perseguições. No entanto, há também muitas iniciativas de diálogo inter-religioso e esforços para promover a unidade entre os muçulmanos.
8. Conclusão: a importância de compreender a diferença
Compreender as diferenças entre xiitas e sunitas vai além da curiosidade religiosa — é essencial para interpretar os conflitos do Oriente Médio e o papel da religião na cultura e na política islâmica. Embora divergências existam, ambos os grupos compartilham uma fe/">fé profunda no Deus único, na profecia de Maomé e no Alcorão como guia espiritual.