Candomblé e Umbanda: A Luta Contra o Preconceito e Racismo
Publicado em 28/07/2025 por Vivian Lima
No Brasil, país de rica diversidade cultural e religiosa, o Candomblé e a Umbanda se destacam como expressões legítimas da fe/">fé, com raízes profundas na herança africana. Apesar de sua importância histórica e cultural, essas religiões de matriz africana são, infelizmente, as que mais sofrem com o preconceito e o racismo religioso. Essa discriminação não apenas fere a liberdade de crença, um direito constitucional, mas também perpetua violências históricas e estruturais contra a população negra no país.
O preconceito contra o Candomblé e a Umbanda manifesta-se de diversas formas: desde ofensas verbais e estereótipos negativos até a depredação de templos, ataques físicos a praticantes e a demonização dessas fés por outros grupos religiosos. Em muitos casos, esse ódio é alimentado pela desinformação e por uma visão eurocêntrica e cristã-centrada que deslegitima as religiões de origem africana, associando-as a práticas malignas ou ao atraso.
A internet, embora seja um espaço para a diversidade, também se tornou um palco para a proliferação desses discursos de ódio. Comentários xenófobos, memes depreciativos e vídeos que incitam a violência contra terreiros e seus membros são lamentavelmente comuns. Essa disseminação online contribui para a normalização do preconceito e cria um ambiente hostil para os praticantes do Candomblé e da Umbanda, gerando medo e silenciamento.
A luta contra o preconceito e o racismo religioso exige ação em múltiplas frentes. A denúncia é o primeiro e mais crucial passo. No Brasil, o racismo religioso é crime, e as vítimas devem utilizar os canais disponíveis, como o Disque Direitos Humanos – Disque 100, as delegacias de polícia (especialmente as Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância – DECRADI, onde existirem) e o Ministério Público. É fundamental registrar Boletins de Ocorrência e coletar provas, como prints de tela em casos de ataques online.
A educação é outra ferramenta poderosa. A implementação da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de historia/">História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas, é essencial para desmistificar preconceitos e valorizar a contribuição das culturas africanas para a formação do Brasil. Projetos educativos que promovam o diálogo inter-religioso e a conscientização sobre a riqueza e a diversidade das crenças são fundamentais para construir uma sociedade mais respeitosa.
Além disso, o fortalecimento das próprias comunidades de Candomblé e Umbanda é vital. A resistência e a mobilização de líderes religiosos e ativistas têm sido cruciais na defesa de seus direitos e na promoção de suas culturas. Iniciativas como o mapeamento da violência contra terreiros e a criação de redes de apoio jurídico e psicológico para as vítimas são exemplos de como as próprias comunidades se organizam para enfrentar a discriminação.
Recentemente, a legislação brasileira tem avançado no combate ao racismo religioso. A Lei nº 14.532/2023 é um marco, pois equipara o crime de injúria racial ao crime de racismo, tornando-o inafiançável e imprescritível, e amplia as penas para a discriminação por religião. Essa mudança reforça o compromisso legal com a proteção da liberdade religiosa e com a punição de quem a viola.
A luta contra o preconceito e o racismo religioso é uma luta por justiça, igualdade e dignidade para todos os cidadãos brasileiros. Ao reconhecer e valorizar o Candomblé e a Umbanda como parte integrante da identidade nacional, e ao combater ativamente qualquer forma de discriminação, o Brasil avança na construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e plural.